Pra
frente Brasil: a seleção tricampeã do mundo na Copa de 1970
Jéssica Leiras
Depois de fracassar nas
Copas do Mundo de 1950 e 1954, o Brasil conquistou os campeonatos de 1958, 1962
e 1970. Mas foi na terceira vitória que a seleção se mostrou imbatível. A Copa
era no México e os brasileiros chegaram à final contra os italianos, vestindo o
tradicional uniforme amarelo. A seleção de Zagallo teve a sexta e definitiva vitória,
com um placar de 4 a 1. A taça de ouro foi erguida por Carlos Alberto Torres,
repetindo o gesto que havia sido feito por Bellini e Mauro, nos títulos
anteriores.
Pela primeira vez, o evento
era transmitido ao vivo pela televisão. O Brasil fez uma excelente campanha,
com todos os jogos vencidos, um total de 12 partidas. A “seleção canarinho”
levantou a taça Jules Rimet, desta vez, de forma definitiva. A FIFA determinou
que o campeão de 70 levasse o troféu, de fato, para a casa.
No Brasil, o sinal das
antenas de TV só foi captado em cidades das regiões Sul e Sudeste, além de
Brasília, Recife e Salvador. Recém chegado no Rio de Janeiro, o Português João
Moreira só conseguiu ver as transmissões dos jogos na televisão do trabalho.
— Eu era
empregado da SEARS, loja de
departamentos na Praia de Botafogo, e assistia aos jogos em uma televisão
pequena que tinha no interior da loja. Todos ficavam ali reunidos para ver
aquela transmissão em preto e branco, — comenta.
Em um texto publicado na Folha de São Paulo, em 19 de janeiro de
2014, o jornalista Marcos Gonçalves fala das emoções vividas no campeonato.
— Zagallo
mudou o time, e a estréia contra a Tchecoslováquia foi uma tensão danada.
Quando eles fizeram 1 a 0, deu medo. Mas empatamos, viramos e massacramos: 4 a
1. A partir dali formou-se mesmo a tal “corrente pra frente”. Os jogos
terminavam e íamos para as ruas de Copacabana festejar.
“Todos juntos vamos. Pra
frente Brasil, Brasil. Salve a seleção”. Assim era o hino da campanha
brasileira na Copa de 70. A letra marcou, não apenas a conquista do
tricampeonato, mas o momento político que o país vivia. Na época, os partidos
políticos de esquerda estavam na clandestinidade e qualquer movimento que
questionasse o regime era considerado um atentado à ordem e à segurança
nacional.
Para o regime militar, um
time de craques e a conquista do tricampeonato serviram para amenizar a
situação do país. Enquanto reprimia, prendia e torturava os militantes, o
governo do general Médici estimulou o crescimento econômico por meio de
empréstimos externos, industrialização e construção de rodovias. A televisão e o governo anunciavam o “milagre
brasileiro” e a vitória na Copa do Mundo ajudou a impulsionar a propaganda
oficial.
País do Futebol
“No
país do futebol, a Copa é vida; o campo de futebol, o mundo; e nosso escrete,
como dizia Nelson Rodrigues, uma clara extensão projetiva de nós mesmos – de
nossos defeitos e qualidades.” (Roberto da Matta).
No
Rio de Janeiro dos anos 70, o futebol unia e colocava todos em um plano de
igualdade. As ruas eram o lugar das comemorações, onde os 190 milhões de
torcedores representavam a figura do jogador vitorioso em campo. E foi nas ruas do Rio que a seleção campeã fez
o seu desfile depois da Vitória.
Em
22 de junho de 1970 o Jornal do Brasil estampava
a manchete: “Brasil Tri. A Copa é nossa: 4x1”. No lide histórico, a notícia da
vitória.
“Quando
Carlos Alberto Torres ergueu aos céus a Taça Jules Rimet, na tarde do dia 21,
700 milhões de pessoas, em 50 países, comprovaram a supremacia definitiva do
futebol arte-técnica-poesia: o Brasil acabava de sagrar-se tricampeão do
mundo”.
Foi
naquele campeonato que Pelé se despediu dos mundiais. O único da história
futebolística que se consagrou tricampeão do mundo como jogador. Para o
Jornaleiro Mário Silva, a seleção era de ouro.
— Pelé, Jairzinho,
Carlos Alberto, Gérson, Rivelino, Tostão e Clodoaldo. Eram tantos nomes bons,
que eu não consigo escolher o meu preferido. Para mim, esse foi o melhor
mundial da história, — afirma.
Seleção brasileira tricampeã mundial
Copa de agora
O
Brasil será o anfitrião da Copa do Mundo de 2014. Pela segunda vez o país é
escolhido para sediar o evento, sendo o primeiro realizado em 1950. Serão 64
jogos a percorrer as 12 cidades, em estádios novos ou reconstruídos.
Com
receio de que as greves na área de segurança criem problemas internos durante o
mundial e denigre a imagem do país, o governo decidiu atacar as manifestações
que estão ocorrendo. Ações na Justiça Federal e medidas que atingem o bolso dos
grevistas, foram as soluções encontradas.
Durante
o evento, o governo vai entrar com ações judiciais contra as paralisações, e
quer cobrar que líderes da greve arquem com os custos de eventual emprego da Força
Nacional para garantir a ordem pública. Há suspeitas de que novas paralisações
de policiais militares, civis e Federal ocorram no período da Copa.
A
fundação alemã Heinrich Boll Stiftung lançou
o livro “Copa pra quem e pra quê?”, que reúne análises sobre os mundiais no
Brasil, África do Sul e Alemanha. A matéria publicada pela Folha de São Paulo,
em 26 de maio de 2014, traz os seguintes dados retirados da pesquisa da
historiadora Marilene de Paula.
“Os
12 estádios brasileiros podem acolher 668 mil pessoas e custaram 8,5 bilhões,
com uma média de R$ 12 mil por cadeira. Na Alemanha, esse custo ficou em R$
3.400 e, na África do Sul, em R$ 5.300”.
Ainda
na matéria, os autores do livro apontam que o direito de moradia foram um dos
principais a serem violados no Brasil, citando dados da Articulação Nacional
dos Comitês Populares da Copa, que estimam que 250 mil pessoas estejam passando
por um processo de remoção no país. Para o historiador Dawid Bartelt, a copa no
Brasil pode servir de bom exemplo para um processo mundial de conscientização
de que megaeventos não podem ser realizados a custo do desenvolvimento social.
Apesar
dos descasos na organização do mundial, no dia 24 de maio deste ano, a
presidente Dilma Rousseff afirmou, em um discurso realizado durante evento da
União da Juventude Socialista, que está confiante com o evento.
— A Copa do Mundo se aproxima e tenho certeza que o nosso
País fará a Copa das Copas. Tenho certeza da nossa capacidade. Tenho certeza do
que fizemos, tenho orgulho das nossas realizações. Não temos do que nos
envergonhar e não temos complexo de vira-latas — disse.
Repreendidos ou não, a população brasileira do século XXI tem
mais liberdade de manifestar opiniões. Por meio de atos públicos, manifestações
em redes sociais ou em veículos de comunicação, a liberdade de expressão é
maior do que a encontrada na Copa de 70. Apesar de repressões por meio do
governo ainda serem encontradas, os atuais militantes sofrem menos repúdios.
Uma nova coloração
pinta a década de 1970
O visual e
a atitude jovem foram mudando ao longo dos anos 70. A moda percorreu diversos
caminhos. Passou do hippie e Black Power, para a agressividade do punk, ao
colorido do disco music.
A primeira
metade da década foi marcada pela herança da cultura hippie da geração
anterior. A moda era ter flores nos cabelos e calçar sandálias. Batas, calças
pantalonas, saias e vestidos com influências ciganas e indianas, representavam o
visual. Os cabelos compridos eram usados para compor o estilo.
Com o
surgimento do punk, por volta de 1974, uma parte da juventude aderiu à
filosofia do rock and roll. O estilo era o punk, com jaquetas de couro,
camisetas rasgadas, cintos e pulseiras de tachinhas. Os cabelos eram coloridos
e o corpo cheio de piercings. O movimento de opunha ao estilo de vida e às
idéias hippies. Apoiava a individualidade e independência.
A edição
128 da revista Mundo Estranho coloca
o movimento punk em questão. Segundo a matéria, “o grupo britânico Sex Pistols
nasceu em uma loja de roupas, a Sex, e seu visual foi criado pela estilista
Vivienne Westwood, que trouxe de Nova York as peças rasgadas, os rebites,
alfinetes e toques eróticos”. Essas tendências e o incentivo à individualidade
estimularam os jovens da época a bolar visuais únicos. Até os cabelos curtos
eram um manifesto e opunham-se às longas madeixas dos hippies.
Parte da
elegância que existia na música negra dos anos 60 inspirou o visual dos
frequentadores das discotecas na segunda metade dos anos 70. Camisas de cetim e
seda, calças a base de lycra, meia-calças combinando com saias, tudo
incrementado com lantejoulas. A maquiagem era forte, com muito brilho para
destacar o rosto feminino. O artificial despertava mais atenção.
No Brasil,
a novela Dancin Days, de Gilberto
Braga, ajudou a popularizar o vestuário da onda disco. Prestes há completar 20
anos, em 1978, Ana Dobrões ficava na frente da TV e não perdia nenhum capítulo
da trama veiculada pela Rede Globo.
— Aquela novela foi um marco e lançou moda, tinha cenas na
discoteca com a Sônia Braga dançando. E a música das frenéticas é sucesso até
hoje. Quem nunca dançou ao som de “Abra
as suas asas, solte suas feras?” — conta.
Disco dos anos 70
Hora da novela
No Brasil, as teledramaturgias surgiram nos anos 50, com a adaptação das novelas de rádio para a televisão. Na década de 70, elas conquistaram elevados índices de audiência e o mercado publicitário. Sucessos como Irmãos Coragem e Pecado Capital, de Janete Clair, e O Bem Amado e Saramandaia, de Dias Gomes, estabeleceram o início da hegemonia da Rede Globo. A Tupi também emplacou sucessos, como Mulheres de Areia e O Profeta.
As novelas também lançaram tendências. Tônia Carreiro em Pigmalião (1970) fez tanto sucesso com o seu corte de cabelo em camadas, que ele ficou conhecido pelo nome da trama. A boina, a blusinha de crochê e a mini-saia usados por Regina Duarte em Minha doce namorada (1971), caiu no gosto popular e se tornaram artigos desejados pelo sexo femininoe.
A Blusa “tomara que caia” de lastex, também foi sucesso na época. Era usada por Lídia Brondi e Sônia Braga na novela Espelho Mágico (1977). Na abertura de Dancin Days (1978), apareciam meias lurex com sandálias de salto, sendo moda nas pistas de dança.
Os homens também difundiram estilos na TV. Na novela Cavalo de Aço (1973), os sapatos, a calça jeans boca de sino e a jaqueta matelassê de Tarcísio Meira foram sucesso. Herson Capri de costeletas levou as mulheres à loucura com a camisa xadrez de gola pontuda, jaqueta de couro sintético, na novela Tchan (1976). O padrão masculino de beleza era bem diferente do que é hoje. Geralmente os homens usavam bigodes e costeletas, quanto mais pêlos tinham, mais másculos eram considerados.
Na década também existia a moda unissex, ou seja, tanto o homem ou mulher podiam usar a mesma roupa, sem ser apontados na rua. Haviam os macacões chamados de peça única, que eram peças inteiriças unindo calça e camisa.
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