terça-feira, 3 de junho de 2014


  Copa de 70 e 2014:

tudo a ver!

 
                                               Rodrigo Bello


                      Carlos Alberto Torres e Médici lado a lado após o título: união que favoreceu o presidente.

Próximo da segunda Copa do Mundo a ser realizada no Brasil, já se pode observar as ruas do Rio de Janeiro enfeitadas, toda a expectativa que ronda a pré-Copa e, principalmente, uma tensão por conta dos possíveis protestos contra o atual governo. Muitas pessoas que viveram na década de 70, comparam a atual tensão com a da época, já que o país vivia em uma ditadura militar, onde a presença de protestos populares era frequente.

Hoje, parte da população encontra-se completamente contra a realização da competição no país, por conta do alto investimento feito na construção de estádios. Na apresentação da seleção brasileira, um grupo de protestantes cercou o ônibus dos jogadores e colou centenas de adesivos com os dizeres “não vai ter Copa”.

Será que na época da Copa de 70, onde o país era governado por Médici, um dos presidentes brasileiros que mais matou e torturou, o clima da população era contra a seleção brasileira? Como as pessoas conseguiam acompanhar aos jogos? De que forma ocorriam as comemorações das vitórias do Brasil?

Médici usava a Copa para fazer com que as pessoas apoiassem o governo. Embalado por uma economia que crescia, gerando empregos e, possibilitando um crescimento da classe média, Médici se utilizava das vitórias da seleção no campo para enaltecer o país através do patriotismo do povo. Após vitória por 4 x 1 do Brasil sobre a Itália, o então presidente fez uma campanha com os slogans “Ninguém segura este país” e “Brasil; ame-o ou deixe-o”. O resultado da Copa, somado ao modo com que Médici soube explorá-lo, fez com que o governo conseguisse manter a popularidade.

O historiador Eduardo Coelho acredita que o futebol jogado pela seleção brasileira na Copa de 70 serviu para alienar grande parte da população.

“O Médici era muito esperto, sabia aproveitar cada brecha pra tentar trazer o povo pro lado dele. Ele utilizou a vitória do futebol para cegar as pessoas. E conseguiu isso de uma maneira incrível. As pessoas depois da Copa iam às ruas para comemorar e não mais para protestar”, disse.

Transmissão de TV

Um fato curioso da Copa do Mundo de 1970 é que a competição foi a primeira a ser transmitida ao vivo e a cores para a população brasileira. O sucesso foi tanto que, a audiência da TV Globo durante a competição, superou a da chegada do homem à Lua, no ano anterior.

De acordo com o comentarista esportivo, Vitor Rodrigues, a transmissão ao vivo e a cores era algo muito novo e inúmeros fatos curiosos marcaram a TV na Copa de 70.


Conquista da Copa de 70 pela seleção brasileira foi exibida na televisão em cores

“Naquela época você não tinha o ponto, falava muita besteira a vontade e ninguém te dava bronca. Não tínhamos 20 câmeras dentro do campo, nem toda uma análise tática digital das equipes que estavam em campo. Para você ter ideia, tinham propagandas que entravam no meio da transmissão, sem que ninguém soubesse. Mas era muito divertido.”, afirmou o jornalista.

Povo nas ruas

Antes da realização da Copa em 70, assim como acontece hoje, muito se falava em relação à presença do povo nas ruas. Diferentemente do normal, esperava-se que o povo passasse grande parte da Copa protestando, em vez de comemorando.

Por conta de toda a “tática política” adotada por Médici, como já foi falada nesse texto, o povo acabou indo às ruas para comemorar o título do tricampeonato da seleção comandada por Pelé.

Eduardo Coelho diz que o instinto que o brasileiro tem dentro de si, não permite que o povo torça contra o próprio país dentro de uma Copa do Mundo.

“Claro que vão ter meia dúzia de gato pingado enchendo o saco nas ruas. Mas é óbvio que a população vai torcer pelo sucesso do Brasil. Uma coisa é você protestar contra a construção dos estádios e tudo mais. Outra é você torcer contra o Neymar, o Fred, o Thiago Silva, que não tem nada a ver com isso. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, analisou.

                                                Seleção de 1970

ou de 2014?

 

Após o título da Copa das Confederações em 2013, alguns torcedores apontaram a seleção brasileira comandada por Luiz Felipe Scolari como a melhor de todos os tempos, taticamente falando. Com cada jogador rigorosamente realizando uma função em campo e comandada por Neymar, o Brasil chegou a conquista ao bater a toda poderosa Espanha por 3 x 0, dentro do Maracanã.

 

Se a de 2014 é a melhor na parte tática, a de 1970 é considerada pelos brasileiros como a melhor de todos os tempos, individualmente falando. Com Pelé, Tostão, Carlos Alberto Torres, Rivellino, Gérson, e muito outros craques, a seleção brasileira conquistou o campeonato mundial ao bater a Itália por 4 x 1 na final. Afinal, qual das duas poderia ser considerada “A” seleção brasileira de todos os tempos?

 

Logo depois de uma sequência de resultados ruins de Mano Menezes a frente da seleção, Luiz Felipe Scolari assumiu o posto de treinador do Brasil no começo de 2013. No mesmo ano, veio o título da Copa das Confederações com a seleção apresentando um futebol de primeira qualidade.

 

O comentarista de futebol Vitor Rodrigues acredita que o padrão tático dado por Felipão ao Brasil foi determinante para o título e, ao ser perguntado sobre “70 ou 2014”, Vitor foi bastante direto.

 

“O Felipão adotou um padrão de que todos atacavam e todos defendiam. Hulk pela direita junto com Dani Alves e Oscar pela esquerda junto com o Marcelo. A seleção ficou muito forte tanto ofensivamente quanto defensivamente, ainda mais com a presença dos volantes Paulinho e Fernandinho fechando o meio. Sobre a melhor seleção, eu escolho a de 1970, que era muito boa individualmente e coletivamente. A seleção de hoje só tem o Neymar e o Oscar com talentos individuais muito acima da média. O resto depende muito do jogo coletivo”, analisou.

 

Se a seleção atual sofria com a desconfiança até um ano antes da Copa, a de 1970 era sempre apontada como a grande favorita.

 

Comandada por Pelé, eleito no começo dos anos 2000 como o jogador do século, a seleção brasileira exibia em seus amistosos pré-Copa um futebol que colocava medo nos adversários. É o que afirma Vitor Rodrigues.

 

“Era muito engraçado porque os jogadores da Itália, Inglaterra, Alemanha, entre as outras favoritas, sempre davam entrevistas apontando o Brasil como o grande favorito ao título da Copa de 70. E isso foi comprovado dentro de campo, quando o Brasil, em uma final, fez 4 gols em cima da toda poderosa Itália. Para mim, o que falta para a seleção de Felipão para entrar entre as melhores seleções que já tivemos, é o título da Copa do Mundo deste ano.”, concluiu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário