terça-feira, 3 de junho de 2014

 


Copa, Futebol ou política?
Ou será que são os dois?
O esporte mais famoso do planeta é “jogado” dentro e fora de campo
                                                                   Yuri Hernandes

A Copa do Mundo de Futebol está longe de ser apenas um evento esportivo internacional. Para muitos países, como Brasil, este evento representa momentos de intensas manifestações, reinvindicações e tensões políticas. Desde sua primeira edição no Uruguai em 1930, as Copas do Mundo foram realizadas sob contextos políticos.

            No Brasil, durante a ditadura civil-militar, ocorreram cinco Copas: 1966, 1970, 1974, 1978 e 1982, mas foi na de 1970, no México, que o governo aproveitou o momento de comoção nacionalista que essa competição proporciona. Nessa época, sob a presidência de Emílio Médici, o Brasil vivia o período de maior “popularidade” do regime, graças ao início do “Milagre Econômico”, e da vitória esportiva. Entretanto, como, também foi o momento de maior repressão, presos políticos e torturas, o evento significou uma ótima maneira do regime desviar a atenção destes crimes.

            Ação que deu muito certo segundo o aposentado Arthur Hernandes, 87 anos.

- A cidade comemorou do início ao fim o campeonato. As pessoas se reuniam para festejar (algo difícil durante a ditadura) e celebrar as conquistas da equipe. O ambiente aparente era de muita alegria.

Com o Brasil campeão, houve uma grande recepção no retorno dos tricampeões, que foram ao Palácio da Alvorada, onde o presidente foi fotografado segurando a taça, em uma imagem que foi intensamente reproduzida pelos meios de comunicação.

 

 

 

                                                                                              Médici e o capitão do penta segurando a taça

O aposentado Francisco Célio, 70 anos, recordou esse momento de comemoração entre a seleção e o presidente.

- Eu (Francisco) lembro bem do presidente aparecendo na televisão fazendo embaixadinhas. E por incrível que pareça no dia da conquista abriu as portas da residência presidencial para comemorar com a população. Ele (Médici) foi bem esperto - finalizou.

 Para Hernandes, um apaixonado pelo esporte, a conquista da Copa de 70 significou o coroamento do futebol brasileiro.

- Acredito depois da copa o Brasil tornou-se mais reconhecido em todo o mundo. Posso (Arthur) que o “rei” Pelé também saiu consagrado e como um grande ídolo.

Já Célio recordou a marchinha que se tornou símbolo das vitórias.

- Noventa milhões em ação, Pra frente Brasil, no meu coração...

A música lembrada foi utilizada também pelo governo como uma associação entre o país e a seleção. O futebol permitia ao regime promover as supostas união nacional e diversidade, em um espaço que não passava pelo setor político. A seleção era um espaço de diálogo entre o presidente e a uma importante parcela da sociedade.  No discurso futebolístico encontrava-se o objetivo principal que era associar a vitória na competição com seu governo e modelo de sociedade.

A Copa em casa

Quarenta e quatro anos depois, movimentos políticos e sociais se sobrepõe ao evento esportivo. Diferentemente de 1970, o governo atual não soube aproveitar a comoção nacional para contornar e desviar os problemas vividos pela população. O que a princípio parecia ser uma grande “jogada”, trazer a Copa para o pais se transformou em uma grande dor de cabeça para a organização e para o Brasil. Até o presidente da FIFA Joseph Blatter admitiu que o Brasil pode não ter sido a melhor escolha para sediar a Copa do Mundo.

Questionado sobre os protestos, o ministro do Esporte, Aldo Rabelo, alegou que as manifestações trazem reivindicações específicas de determinadas categorias. E em entrevista coletiva o ministro afirmou que geralmente as manifestações são mais a favor de alguma coisa, da moradia, do ensino público, da segurança, do transporte. Não sei por que transformar manifestações de reivindicações em manifestação contra a Copa e o governo.

Hoje, nas ruas, protestos demostram a insatisfação de parte da população contra o maior evento de futebol. O sentimento contrário ao Mundial é mais forte nas cidades que recebem os jogos. Os altos gastos com as obras das arenas é o principal motivo de reclamação. Além disso, os manifestantes apontam violações de direitos humanos ocorridas durante a preparação das cidades-sedes e cobram medidas como o reassentamento de famílias que foram removidas, a garantia de moradia digna, medidas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes Os protestos também se estendem para as áreas da educação e saúde.

            Os jornais internacionais repercutiram os movimentos conta a Copa no Brasil. Por exemplo, a revista “Der Spiegel” a mais importante da Alemanha, e os sites do jornal “El País”, da Espanha, e da inglesa “The Economist”, trazem reportagens sobre a insatisfação dos brasileiros com a realização dos jogos. A mais contundente é a reportagem da “Der Spiegel”, que traz em uma capa uma imagem da Brazuca, bola oficial do torneio, caindo em chamas sobre o Rio. Segundo o texto do Jornalista alemão Jens Glusina, a Copa no país do futebol, pode virar um fiasco por conta de protestos, greves e tiroteios em vez de festas.     

 


 

 

                    Capa da revista “Der Spiegel”

Fontes: globoespoter.com; fifa.com; oglobo.globo.com

 

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