Copa, Futebol ou política?
Ou será que são os dois?
O
esporte mais famoso do planeta é “jogado” dentro e fora de campo
Yuri Hernandes
A
Copa do Mundo de Futebol está longe de ser apenas um evento esportivo
internacional. Para muitos países, como Brasil, este evento representa momentos
de intensas manifestações, reinvindicações e tensões políticas. Desde sua
primeira edição no Uruguai em 1930, as Copas do Mundo foram realizadas sob
contextos políticos.
No
Brasil, durante
a ditadura civil-militar, ocorreram cinco Copas: 1966, 1970, 1974, 1978 e 1982,
mas foi na de 1970, no México, que o governo aproveitou o momento de comoção
nacionalista que essa competição proporciona. Nessa época, sob a presidência de
Emílio Médici, o Brasil vivia o período de maior “popularidade” do regime, graças
ao início do “Milagre Econômico”, e da vitória esportiva. Entretanto, como,
também foi o momento de maior repressão, presos políticos e torturas, o evento significou
uma ótima maneira do regime desviar a atenção destes crimes.
Ação que deu muito certo segundo o
aposentado Arthur Hernandes, 87 anos.
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A cidade comemorou do início ao fim o campeonato. As pessoas se reuniam para
festejar (algo difícil durante a ditadura) e celebrar as conquistas da equipe.
O ambiente aparente era de muita alegria.
Com o Brasil campeão, houve
uma grande recepção no retorno dos tricampeões, que foram ao Palácio da
Alvorada, onde o presidente foi fotografado segurando a taça, em uma imagem que
foi intensamente reproduzida pelos meios de comunicação.
Médici e o capitão do penta segurando a taça
O
aposentado Francisco Célio, 70 anos, recordou esse momento de comemoração entre
a seleção e o presidente.
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Eu (Francisco) lembro bem do presidente aparecendo na televisão fazendo
embaixadinhas. E por incrível que pareça no dia da conquista abriu as portas da
residência presidencial para comemorar com a população. Ele (Médici) foi bem
esperto - finalizou.
Para Hernandes, um apaixonado pelo esporte, a
conquista da Copa de 70 significou o coroamento do futebol brasileiro.
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Acredito depois da copa o Brasil tornou-se mais reconhecido em todo o mundo.
Posso (Arthur) que o “rei” Pelé também saiu consagrado e como um grande ídolo.
Já
Célio recordou a marchinha que se tornou símbolo das vitórias.
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Noventa milhões em ação, Pra frente Brasil, no meu coração...
A
música lembrada foi utilizada também pelo governo como uma associação entre o
país e a seleção. O futebol permitia ao regime promover as supostas união
nacional e diversidade, em um espaço que não passava pelo setor político. A
seleção era um espaço de diálogo entre o presidente e a uma importante parcela
da sociedade. No discurso futebolístico
encontrava-se o objetivo principal que era associar a vitória na competição com
seu governo e modelo de sociedade.
A Copa em casa
Quarenta
e quatro anos depois, movimentos políticos e sociais se sobrepõe ao evento
esportivo. Diferentemente de 1970, o governo atual não soube aproveitar a
comoção nacional para contornar e desviar os problemas vividos pela população.
O que a princípio parecia ser uma grande “jogada”, trazer a Copa para o pais se
transformou em uma grande dor de cabeça para a organização e para o Brasil. Até
o presidente da FIFA Joseph
Blatter admitiu que o Brasil pode não ter sido a melhor escolha para sediar a Copa do Mundo.
Questionado sobre os protestos, o ministro do Esporte, Aldo
Rabelo, alegou que as manifestações trazem reivindicações específicas de
determinadas categorias. E em entrevista coletiva o ministro afirmou que geralmente
as manifestações são mais a favor de alguma coisa, da moradia, do ensino público,
da segurança, do transporte. Não sei por que transformar manifestações de
reivindicações em manifestação contra a Copa e o governo.
Hoje, nas ruas, protestos demostram a insatisfação de parte da população
contra o maior evento de futebol. O sentimento contrário ao Mundial é mais
forte nas cidades que recebem os jogos. Os altos gastos com as obras das arenas
é o principal motivo de reclamação. Além disso, os manifestantes apontam violações de direitos humanos ocorridas
durante a preparação das cidades-sedes e cobram
medidas como o reassentamento de famílias que foram removidas, a garantia de
moradia digna, medidas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. Os protestos também se estendem para as áreas da educação e saúde.
Os jornais internacionais repercutiram os movimentos
conta a Copa no Brasil. Por exemplo, a revista “Der Spiegel” a mais importante
da Alemanha, e os sites do jornal “El País”, da Espanha, e da inglesa “The
Economist”, trazem reportagens sobre a insatisfação dos brasileiros com a
realização dos jogos. A mais contundente é a reportagem da “Der Spiegel”, que
traz em uma capa uma imagem da Brazuca, bola oficial do torneio, caindo em
chamas sobre o Rio. Segundo o texto do Jornalista alemão Jens Glusina, a Copa no
país do futebol, pode virar um fiasco por conta de protestos, greves e
tiroteios em vez de festas.
Capa da revista “Der
Spiegel”
Fontes: globoespoter.com;
fifa.com; oglobo.globo.com


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