As
memórias da rua na copa dos anos 70.
As histórias de torcedores brasileiros.
As maiores diferenças entre o futebol e o cenário atual em comparação com o anos 70
As histórias de torcedores brasileiros.
As maiores diferenças entre o futebol e o cenário atual em comparação com o anos 70
Bianca Fischel Derbander
O momento histórico marcou a consolidação de um regime e de uma entidade que rege o futebol no país até hoje
O momento histórico marcou a consolidação de um regime e de uma entidade que rege o futebol no país até hoje
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| Vinil da Copa de 70 |
A Copa de 1970 foi
um momento histórico pelo cenário da época. Em plena ditadura militar, o país
do futebol era campeão.
Foi em meio a esse cenário que a musica tema da Copa de 70 surgiu. "Pra frente Brasil" era uma espécie de hino, em meio a dura época política, as pessoas esqueciam os problemas do país e emocionadas cantavam juntos, trazendo um sentimento de nacionalismo àquele povo.
A musica fazia uma analogia e misturava o campo à realidade, era preciso que todos estivessem juntos rumo à vitoria.
Foi em meio a esse cenário que a musica tema da Copa de 70 surgiu. "Pra frente Brasil" era uma espécie de hino, em meio a dura época política, as pessoas esqueciam os problemas do país e emocionadas cantavam juntos, trazendo um sentimento de nacionalismo àquele povo.
A musica fazia uma analogia e misturava o campo à realidade, era preciso que todos estivessem juntos rumo à vitoria.
O técnico, um pouco
antes de a copa começar era João Saldanha que depois foi substituído por
Zagalo. Pelé era o principal jogador da
seleção.
A aposentada Marilene Matos que acompanhou tudo pela televisão, relembra da escalação brasileira.
- Naquela época, os jogadores escalados para a seleção jogavam no próprio país. Então havia algo diferente, a identificação do torcedor com o time era muito maior, hoje em dias os jogadores ficam todos espalhados pelo mundo.
Política e Campo
A situação política no país era tensa, e no ano de disputa das eliminatórias, o AI5 foi instituído pelo então presidente Arthur da Costa e Silva, o ato foi a parte mais pesada de toda história da ditadura brasileira.
A situação política no país era tensa, e no ano de disputa das eliminatórias, o AI5 foi instituído pelo então presidente Arthur da Costa e Silva, o ato foi a parte mais pesada de toda história da ditadura brasileira.
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| Presidente Médici com a taça |
Já no ano
de 1969, um ano antes do começo da copa do mundo que seria disputada no México,
Médici chega ao poder. Fã de futebol, ele soube como aproveitar a paixão
nacional para fortalecer a ditadura.
-Eu me
lembro de um amistoso contra o Paraguai no Maracanã, o estádio estava tão
lotada que as pessoas tinham que sentar no colo uma das outras. Ouve uma
propaganda muito do forte do governo. Conta a aposentada.
Através de
propagandas, Médici mostrava principalmente que o Brasil cresceria junto com a
seleção brasileira, fazendo um vínculo muito estreito entre as ruas e os campos.
Cenário colorido
Arnaldo Mota engenheiro de 78 anos, relembra como a rua era decorada na época, com bandeiras do Brasil por todos os lugares.
- Eu lembro que mandei fazer duas bandeiras enormes para cobrir o meu carro com as cores brasileiras.
O cenário de hoje é diferente, em meio a política atual o futebol fica tímido. As ruas, não estão tão coloridas e o grito do povo não é uníssono.
O governo se diz democrático e o povo tem mais liberdade. Foi essa mesma liberdade que fez com que o povo em Junho do ano passado levantasse e fosse à rua.
- Na copa de 70 as pessoas foram para a rua comemorar a vitória do Brasil, hoje, elas vão para clamar pelos seus direitos, conta Vera Lucia Gonçalves de 67 que estava presente nos atos contra a copa.
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| Manifestantes no Rio em frente ao Maracanã |
Vera lembra-se de como a copa dos anos 70 foi diferente.
- O futebol era o ópio do povo, todos estavam felizes. Hoje, com mais acessos a outros meios de comunicação, as pessoas sabem o que realmente está acontecendo.
Apesar disso, admite que ira torcer pelo Brasil na Copa.
Mídias
Transmitidos pela televisão, era raro alguém assistir aos jogos em bares como hoje em dia já que a difusão do meio não era tão grande.
- A gente assistia aos jogos em casa e depois ia para o bar comemorar. Relata Arnaldo.
Além disso, as imagens eram em preto e branco e foi a primeira transmissão de copa ao vivo.
Transmitidos pela televisão, era raro alguém assistir aos jogos em bares como hoje em dia já que a difusão do meio não era tão grande.
- A gente assistia aos jogos em casa e depois ia para o bar comemorar. Relata Arnaldo.
Além disso, as imagens eram em preto e branco e foi a primeira transmissão de copa ao vivo.
- Eu me
lembro das pessoas ouvindo aos jogos nos radinhos de pilha.
OS TIMES BRASILEIROS EM CAMPO.
No maracanã, a proximidade era muito maior ainda existia a geral e as pessoas ficavam em pé ao lado do gramado assistindo aos jogos em meio aos gritos de torcida em meio a um estádio lotado destinado a todas as classes sociais,
Torcedores na geral em 1977.
Arnaldo conta com nostalgia sobre as características do futebol da época:
- O futebol era mais arte e os jogadores menos atletas.
Além disso, os ídolos eram mais próximos já que jogavam em times do Brasil.
A publicidade em torno dos atletas era menor já que não existia ainda a qualidade de televisão que temos hoje em dia.
A rivalidade entre os times de São Paulo e Rio de Janeiro era grande,os campeonatos não eram tão fechado entre os estados.
Além disso, os jogos tinham preliminares, era possível ir ao estádio para ver os aspirantes que virariam jogadores mais tarde.
Já que a mídia não era tão desenvolvida, os jogadores tinham uma ligação maior com a torcida
- Já que não tinha essa coisa de televisão eles jogavam para quem estava na arquibancada.
Não existia uma forma certa de jogar futebol e o brasileiro começou a formar a sua identidade através do futebol.
Os times ainda não haviam se transformado em empresas e a presença de patrocinadores estampados em camisas não eram tão comuns.
As torcidas organizadas não estavam tão presentes nos estádios, brigas por causa de rivalidades quase não existiam.
- Era uma rivalidade saudável, ninguém machucava ninguém por causa de futebol.
Ao mesmo havia um maior individualismo entre os jogadores, as formas de jogarem eram distintas, nem todo zagueiro era troncudo e nem todo atacante era artilheiro, a mídia fazia menos pressão e consequentemente havia uma menor homogeneização do esporte.




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