terça-feira, 3 de junho de 2014


A Copa do Mundo é nossa, de novo: O mundial de 2014 em paralelo com 70.
Manuela Costa Bomfim – 7h
 

No dia 21 de junho de 1970, a seleção brasileira de futebol, comandada pelo técnico Mário Jorge Lobo, o Zagallo, se consagrava campeã da Copa do Mundo pela terceira vez, no estádio Azteca, na cidade do México. A vitória foi de 4 a 1, contra a seleção da Itália.

A Taça Jules Rimet, que anos depois seria roubada, no Rio de Janeiro, foi levantada pelo capitão Carlos Alberto Torres. Além dele, fazia parte da seleção canarinha nomes como o Rivellino, Gérson, Jairzinho, e o Rei Pelé.

Na semana que vem, o Brasil irá recebe a Copa do Mundo de 2014. Com jogos marcados para os mais diversos cantos do país, o Maracanã, no Rio de Janeiro, maior estádio do mundo, foi escolhido como palco para o jogo que irá decidir o novo vencedor da taça.

Ontem e hoje

Mesmo após 44 anos, é possível reconhecer muitas semelhanças, sociais, políticas, e até mesmo comportamentais, entre a Cidade Maravilhosa da Copa do Mundo de 1970, e a que vai consagrar o vencedor da de 2014.

A primeira comparação que se pode ser feita, é a política. Em 1970, todo o país vivia o auge de sua ditadura militar. Com o general Emílio Médici no comando político, a intolerância, a censura à imprensa e a violência contra a oposição era uma triste realidade para o povo brasileiro.

Ao contrário desta época, atualmente a ditadura militar é só mais um capítulo distante da história do Brasil. Porém, a semelhança em ambos os momentos está na insatisfação popular com o seu governo.

Desde junho de 2013, o país se vê em uma revolta e luta constante contra seus governos, quando o Rio de Janeiro deu início a uma série de protestos contra seu estado. Em pouco tempo, o brasileiro passou a manifestar todas as suas insatisfações políticas. E com a Copa do Mundo cada dia mais próxima, essas manifestações – e até greves – não para de aumentar ao redor do país.

A dentista Elza Antônia tinha apenas 14 anos durante a Copa de 1970, mas consegue enxergar as semelhanças e diferenças na insatisfação e manifestação que se tinha na época, com a que a população vê hoje em dia:

http://www.diarioliberdade.org/archivos/Colaboradores_medios/sturtds/2013-06/copa.jpg- Em ambos os momentos da história a população se vê insatisfeita com o seu governo. Mas antes, era praticamente impossível se ir para a rua protestar, pois não era permitido. Hoje, o povo usa e abusa do seu direito de expressão. Consigo ver uma coisa em comum nos diferentes momentos: A violência por parte de alguns, e a repressão policial. – disse a dentista.

A dentista ainda completa, lembrando a ligação que diziam existir entre o campeonato e o período político:


Protesto contra a Copa do Mundo de 2014. Foto: diarioliberdade.org
 
 


- Muitas pessoas acreditam que o título da Copa de 70 do Brasil serviu como propaganda política para o governo militar. Hoje, tem gente que protesta contra a Copa, por achar que grande parte do dinheiro que foi gasto poderia ter sido usado para necessidades básicas da população. – Concluiu.

A situação econômica do Brasil da Copa de 1970 era melhor do que a atual. O país vivia seu milagre econômico, com um grande crescimento, criação de empregos e inflação sob controle. Hoje, a economia brasileira é muito inferior ao desejado, com uma grande desaceleração e um aumento desenfreado nos preços, que não é acompanhado pelo consumo.

- Eu não me recordo direito dos preços dos serviços e produtos de 70, mas hoje eu sinto que pago por coisas que às vezes não valem nem a metade daquilo. E com a chegada da Copa, essa sensação aumenta ainda mais. – relatou o administrador de empresas, Celso Pinheiro, de 60 anos, que tinha 16 anos quando o país foi tricampeão mundial de futebol.

O lado bom

Apesar de toda a insatisfação política e econômica, uma Copa do Mundo é algo positivo, e acima de tudo motivo para celebrar e comemorar, principalmente se for a vitória de seu país, como o caso do Brasil em         1970.

Celso era morador da Tijuca na época, e se recorda que a Copa daquele ano foi um marco para a chegada da televisão colorida ao país:

- Me lembro perfeitamente deste momento. Achava muito legal assistir aos jogos com cor. Era uma grande novidade para todo a população brasileiro. – recordou.

Além disso, a comemoração de cada vitória do Brasil era um caso a parte para os torcedores do Rio de Janeiro.

- Assistia aos jogos com meus amigos, cada hora na casa de um. Assim que terminava, com a seleção do Brasil campeã, nós pegávamos o carro e íamos para o bar Caneco 70, na praia do Leblon, que era o point de todos os jovens na época. Mas antes disso, uma parada era obrigatória: o Túnel Rebouças. Uma metade da pista dele era fechada, nós estacionávamos e saiamos dos carros para comemorar. Era uma verdadeira festa. – Relembra o  administrador.

Entre inúmeras coincidências, positivas e negativas, que marcaram, e vêm marcando a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil inteiro na Copa de 1970 e a na de 2014, que se inicia na semana que vem, a mais esperada e desejada é que seu vencedor seja o mesmo. Se espera também que a solução para todos os protestos e indignações políticas da população brasileira também seja encontrada, assim como foi com o fim da ditadura militar que assombrou a Copa do Mundo que consagrou a seleção canarinha tricampeã.

 

“Pra Frente Brasil”,

Nos embalos da seleção
Manuela Bomfim – 7h
 

Cinco anos antes da Copa que consagrou a seleção canarinha tri campeã, cantores e compositores como Nara Leão, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque, embalaram os brasileiros. Era o cenário perfeito da Música Popular Brasileira.

O Rock N’ Roll também explodia nessa mesma época, com os Beatles comandando as paradas de sucesso. Porém, a turma da MPB, formada por jovens da elite brasileira, não se entendia com o estilo estrangeiro de música. Diziam que a guitarra do Rock era símbolo do capitalismo selvagem e do imperialismo americano em plena Guerra Fria. Havia uma rejeição política e estética ao Rock N’Roll.

Nesse mesmo período, nascia a vertente Pop-Rock na Música Popular Brasileira, com a polêmica música “Quero que vá tudo para o inferno”, de Roberto Carlos. Este era o maior sucesso da história da música até aquele ano. Com influências vindas do Rock americano, o som de Roberto Carlos e da sua Jovem Guarda não era aceito pela turma da MPB.

Os anos 70 como um todo foram ótimos para a música brasileira, pois todos os cantores de 60 gravaram seus grandes álbuns nessa época. Mas quem toma a frente das paradas de sucesso no ano da Copa do Mundo de 70 foi o “lado B” da MPB, embalado pelo Rock N’Roll. Neste momento, o Movimento Tropicalista e suas obras que iam contra o governo militar da época já tinham chegado ao fim.

O administrador Celso, conta que seu ano da Copa foi marcado pelas músicas do Rock N’Roll:

- Eu e meus amigos ouvíamos os Beatles o tempo inteiro. Era, sem dúvidas, a banda preferida de todos nós. Nos reuníamos na casa de um, para ouvir aos LPs. Let It Be é minha música preferida da banda até hoje, e surgiu neste mesmo ano. - Relembra.


Os Beatles em 1970. Foto: tribunadonorte.com.br
 
http://www.paulingles.com/BeatlesEnd.jpgMas, uma música específica seria a responsável por embalar e motivar a população brasileira a torcer pela seleção do país naquele ano: Pra Frente Brasil. A canção foi composta por Miguel Gustavo, que além de compositor era jornalista, radialista e poeta, e ganhou um concurso promovido pelos anunciantes da Copa, junto com a Rede Globo. O compositor e

 trombonista, Raul de Souza foi o responsável por sua melodia.

O refrão “90 milhões em ação, pra frente Brasil! Salve a seleção!” ecoava pelo país, criando um clima de ufanismo de sua população com seu time campeão do mundo.

Com isso, o governo militar se aproveitou, e usou a seleção como um objeto de propaganda política.

- Apesar do aproveitamento da canção e da vitória da seleção pelo Regime Militar para se promover e fazer propaganda política, não podemos negar que a música “Pra Frente Brasil” foi o maior hino já criado para uma seleção, sendo cantado em quase todos os jogos do Brasil até hoje. Não dá para esquecer da sua letra. – Concluiu Celso.

A cada Copa do Mundo que se passa, uma nova música é gravada para se tornar tema do campeonato. Mas nenhuma se tornou tão inesquecível quanto “Pra Frente Brasil”. Este ano, mesmo que se tenha mais de 90 milhões de brasileiros em ação, ela será cantada para impulsionar os jogadores rumo à mais um título do mundial.

 

 

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